LABORATÓRIO DE ESTATÍSTICA ESPACIAL (LESTE)

INFORMATIVO :

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UFMG Desenvolve Software que Mapeia Áreas Violentas

 

      A necessidade de ampliar ações na área de segurança pública e de desenvolver estudos e instrumentos tecnológicos capazes de contribuir para o combate ao crime é um consenso entre autoridades governamentais e representantes da sociedade. O difícil muitas vezes, é transformar essa demanda em prática. Pois o Laboratório de Estatística Espacial (LESTE), do Departamento de Estatística do ICEx; o Centro de Criminalidade e Segurança Pública (CRISP) e o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) conseguiram driblar essa dificuldade e desenvolveram o TerraCrime, um software livre de georeferenciamento que permite mapear as áreas de incidência criminal e fornecer dados de análise para o monitoramento e controle da criminalidade em áreas urbanas.
                  Segundo o professor Marcelo Azevedo Costa, do Departamento de Estatística e um dos coordenadores do projeto, o TerraCrime  é um software de análise de banco de dados. O aplicativo pode ser usado como instrumento de apoio a políticas de segurança pública por qualquer cidade que tenha informações digitais de mapa de território e registros de boletins de ocorrência. A grande vantagem, segundo ele, é a possibilidade de visualizar rapidamente as estatísticas sobre os dados disponíveis. “Além de identificar as ocorrências como na forma de pontinhos na tela, o TerraCrime interpreta os dados e cria representações gráficas, que podem ser avaliadas”, afirma Azevedo.
                  O sistema pode, ainda, transformar-se em importante ferramenta de integração do trabalho policial de todo país. O programa é o primeiro de uma série que será lançada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça, com o objetivo de integrar, padronizar e modernizar os sistemas de comunicação dos órgãos de segurança. Hoje, 56 diferentes linguagens informacionais são usadas pelas instituições policiais brasileiras. Através do TerraCrime, as polícias poderão trabalhar sobre a mesma base de dados e sobre a mesma interface gráfica, o que contribuirá para elaboração de planos consistentes de combate à violência. 

                  Lançado em dezembro pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, o sistema foi disponibilizado para todas as cidades interessadas. Porto Alegre é o primeiro município a valer-se da tecnologia. 

                  Apesar de exigir certo grau de informatização das ocorrências policiais, os técnicos da SENASP identificaram 35 cidades brasileiras com potencial de instalação. Entre elas, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus, Fortaleza, Brasília, Campinas e Goiânia. 

                  O TerraCrime é um software livre, o que significa que pode ser utilizado por qualquer usuário, sem a necessidade de pagamento de licença de uso. Pode ser gratuito, o sistema permite a economia de gastos  em instituições que utilizam versões pagas de software similares, que chegam a custar R$ 2.900 por usuário. Marcelo Azevedo explica que investir no desenvolvimento de tecnologia própria não é barato, mas representa um gasto significativamente menos que a compra de tecnologia estrangeira e pagamento de licenças.
                  Por possuir código aberto, característica básica dos softwares livres, o programa permite adaptações e aperfeiçoamentos propostos pelos usuários. “Assim , o programa pode incorporar novas técnicas e evoluir de acordo com as necessidades de cada instituição”, diz Marcelo Azevedo.
                  Entre as funcionalidades previstas para as próximas versões do TerraCrime estão um sistema de alarme de zonas emergentes de alta criminalidade, a predição temporal de séries de crimes e um conjunto de ferramentas para analisar conglomerados no espaço e no tempo simultaneamente.

                  Para o pesquisador Robson Sávio Souza do CRISP, o Programa é um importante instrumento para o desenvolvimento de políticas públicas e para o planejamento operacional das polícias. “É uma proposta da Universidade a uma demanda da sociedade.”                   

Fonte: Boletim UFMG nº 1.430 / Ano 30 – 18/03/2004

              

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