LABORATÓRIO DE ESTATÍSTICA ESPACIAL (LESTE)

INFORMATIVO :

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Notícia: TerraCrime


                  Um software que possibilita mapear áreas com alto índice de criminalidade. A boa notícia é que esse programa, batizado de TerraCrime, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Outro diferencial é que o sistema foi inteiramente desenvolvido em plataforma de software livre, ou seja, possui código fonte aberto, permitindo adaptações pelos usuários. Apesar da tecnologia "made in Minas", o software está sendo testado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que se interessou primeiro em aproveitar esta grande idéia.
O programa foi desenvolvido pelo Laboratório de Estatística Espacial (Leste), do Departamento de Estatística do ICEx e pelo Centro de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da Fafich, em parceria com o Inpe. E não demorou muito para ser adotado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). "A versão beta do TerraCrime está sendo testada em Porto Alegre por questões aleatórias, o que não significa que Belo Horizonte esteja fora do projeto. Pelo contrário. A proposta da Senasp é disponibilizar o software em todas as regiões, daí a idéia do software livre", argumenta Renato Martins Assunção, professor do Departamento de Estatística e coordenador do Leste da UFMG.
                  Segundo ele, o programa pode ser usado como instrumento de apoio a políticas de segurança pública por qualquer município que tenha informações digitais de mapa de território e registros de boletins de ocorrência.
Utilizando o georeferenciamento, o software permite mapear as áreas de incidência criminal e fornecer dados de análise para monitoramento e controle da criminalidade em áreas urbanas. "Partindo da análise geográfica é possível obter dados consistentes sobre as áreas mais violentas e a concentração dos diversos tipos de crimes. Tudo isso representa um grande avanço na área de segurança pública", salienta Marcelo Azevedo, do Departamento de Estatística da UFMG e um dos coordenadores do projeto.
A grande novidade do programa é justamente permitir uma visualização ágil de estatísticas sobre crimes. Hoje, muitos locais já contam com aplicativos que registram as ocorrências e formam coordenadas cartográficas num mapa digital. Cada ocorrência de crime aparece como um pontinho na tela. No cotidiano de qualquer cidade grande, em pouco tempo forma-se um emaranhado de pontos sobrepostos de difícil visualização. O trabalho primordial do TerraCrime é interpretar estes dados e formar representações gráficas da situação criminal urbana. Ele funciona integrado ao mapa e desenha manchas coloridas que variam de acordo com as estatísticas de criminalidade. Os dados ainda podem ser organizados por critérios como hora, dia, meses, e facilitam o planejamento das políticas de segurança pública.
                 A versão 1.0 do programa está disponível no site www.est.ufmg.br/leste, podendo ser baixada gratuitamente. Entre os destaques para as próximas versões do TerraCrime estão um sistema de alarme de zonas emergentes de alta criminalidade, a predição temporal de séries de crimes e um conjunto de ferramentas para analisar conglomerados no espaço e no tempo, simultaneamente.

                  Programa surgiu como apoio à Saúde

                  Registrado como o primeiro software livre em língua não inglesa com licença da Free Software Foundation - o que garante maior segurança ao direito autoral e à política de distribuição por ser gratuito -, o TerraCrime estimula a formação de recursos humanos nacionais e permite corte de gastos em estados que já utilizam versões pagas de programas similares.
No mercado, o sistema compete com aplicativos que costumam cobrar licença em torno de U$ 1 mil (cerca de R$ 2.900,00) para cada usuário. No total, os investimentos para o desenvolvimento do TerraCrime foram de cerca de R$ 100 mil. "Investir no desenvolvimento de tecnologia própria demanda recursos e profissionais especializados, mas representa um gasto menor que a compra de tecnologias estrangeiras e pagamento de licenças", complementa Azevedo.
                  O TerraCrime surgiu como um pequeno embrião dentro de programas como o Sistema de Apoio Unificado para Detecção e Acompanhamento em Vigilância Epidemiológica, ou simplesmente, "Projeto Saudavel". Reunindo pesquisadores da UFMG, da Universidade Federal do Paraná, Escola Nacional de Saúde Pública, Divisão de Processamento de Imagem do Inpe, Prodabel, Centro de Pesquisa Ageu Magalhães e Centro de Informação Científica e Tecnológica, além do CNPq e Ministério da Justiça, o programa propõe o uso das Tecnologias da Informação Espacial no apoio ao combate de endemias: "dos lugares das doenças às doenças do lugar".
                 "A violência é um dos fatores que mais ameaça a qualidade de vida das pessoas, seja nos pequenos ou nos grandes centros urbanos. No entanto, vários fatores estão diretamente relacionados à violência propriamente dita", avalia Marcelo Azevedo, da UFMG. Apesar de exigir certos quesitos para implementação, como a informatização das ocorrências policiais, técnicos da Senasp já identificaram 35 cidades em 18 estados com potencial para instalar o programa, entre elas Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Manaus, São Paulo, Brasília, Fortaleza, Cuiabá, Goiânia e Campinas.

                  Minas terá plano integrado das polícias

                  Em Minas Gerais, o Governo do Estado apresentou no início dessa semana um plano que se propõe ser mais abrangente no combate à criminalidade. A solução, que recebeu o nome de Sistema Integrado de Defesa Social (SIDS), tem como meta centralizar o atendimento das emergências das polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros. A iniciativa, que ainda não está em operação, foi desenvolvida por uma empresa canadense, a Mobilair, segundo informações do coronel Ricard Franco Gontijo, responsável pelo SIDS na Polícia Militar. Para aperfeiçoar o software, o Governo requisitou o auxílio do mesmo grupo de pesquisadores da UFMG que criaram o TerraCrime.
                  Em operação desde março de 2002 com recursos do Ministério da Justiça, através do Plano Nacional de Segurança Pública, o programa já recebeu investimentos da ordem de R$ 9 milhões, recursos do Governo federal, através da Secretaria Nacional de Segurança Pública, com a contrapartida de 20% (R$ 1,8 milhão) do Governo do Estado. Estão previstos mais R$ 10 milhões do Governo federal, e investimentos de mais R$ 2 milhões do Estado, destinados a investimentos tecnológicos para a segurança no interior de Minas.
                  Na prática, o cidadão poderá discar 190 ou 193 para suas emergências policiais (civil e militar) e de bombeiro, e será direcionado a uma central única de atendimento de emergências. "Ao registrar a chamada, o sistema encaminhará, imediatamente, a solicitação para todos os órgãos responsáveis em resolverem a ocorrência. Inicialmente, o sistema será implantado na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas a meta é chegar em 2007 com todos os 853 municípios do Estado integrados ao novo sistema", acrescenta o coronel Gontijo.

                  Identificação criminal será unificado

                  A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o Departamento de Polícia Federal e os Institutos de Identificação de todo o Brasil firmaram no último dia 25, em Natal, um convênio que permitirá o compartilhamento e integração de dados de identificação criminal. A proposta, apresentada pelo secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, busca compartilhar o Sistema Automatizado de Identificação por Impressões Digitais (AFIS), adquirido pela Polícia Federal para identificação de criminosos, com todos os estados do país, por um custo muito menor se comparado à implantação isolada por cada governo estadual.
                  A tecnologia AFIS ficou conhecida no início deste ano quando a Polícia Federal começou a usar o sistema nos aeroportos para a identificação de norte-americanos que chegam ao país. O sistema permite identificar de forma rápida e precisa uma pessoa por meio da impressão digital e é usado por diversos organismos policiais e agências de identificação do mundo. Atualmente, o sistema é usado pela Polícia Federal na identificação de pessoas com antecedentes criminais, de estrangeiros residentes no país e na agilização e montagem de processos criminais.
Hoje poucos estados possuem tecnologia de identificação digital, mas mesmo as existentes não conversam entre si. Com a adoção de um sistema único por parte dos estados, será possível compartilhar informações online e em tempo real entre os órgãos de segurança e Justiça do país, na identificação de criminosos procurados e presos, além da criação de um banco nacional de fragmentos encontrados em locais de crimes.
                  Nas aplicações futuras, o sistema poderá ser usado na identificação em aeroportos, portos e áreas de fronteiras, em prisões federais e em pesquisas móveis em estádios, rodovias, operações de barreiras, por meio do uso de aparelhos portáteis (scanners de mão) pelas polícias. Além disso, o sistema tem potencial para ser adaptado no futuro de modo a se integrar com sistemas de identificação civil, bancária e com outros órgãos do Governo, na concessão de benefícios.
                  A implantação do projeto pela Polícia Federal, iniciada em janeiro deste ano, está em ritmo acelerado e deve ser consolidada em menos de um ano, quando os equipamentos já funcionarão em todas as superintendências do órgão. O trabalho maior é o de digitalização dos 2 milhões de fichas em papel hoje existentes nos arquivos do Instituto Nacional de Identificação (INI). Em média, nove mil fichas criminais são digitalizadas por dia. Do total de fichas cadastradas diariamente, cerca de 1% registra coincidência de nomes diferentes com a mesma digital - ou seja, a mesma pessoa possui mais de uma identificação tirada em estados diferentes, o que facilita a prática de crimes interestaduais e dificulta a punição do criminoso.

Fonte: Jornal Hoje em Dia / Info.com - 04/04/2004

 

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